
As inscrições para o Prêmio do Fundo Amazônia serão abertas a partir de hoje, dia 6 de abril, marcando o início de uma nova etapa de reconhecimento a iniciativas que mantêm a floresta em pé e fortalecem a vida nos territórios da Amazônia Legal. O lançamento será anunciado na tenda da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira durante o Acampamento Terra Livre, com desdobramentos previstos em diferentes plataformas e eventos ao longo dos próximos meses.
A premiação busca dar visibilidade e apoio financeiro a experiências conduzidas por povos indígenas, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais, reconhecendo esses grupos como protagonistas na conservação ambiental e no desenvolvimento sustentável. Ao todo, serão selecionadas 50 iniciativas, sendo 15 indígenas, 15 quilombolas e 20 de outros segmentos, cada uma contemplada com R$ 50 mil, somando um investimento de R$ 2,5 milhões.
Podem participar coletivos e organizações que atuem na proteção dos territórios e da floresta, com iniciativas já realizadas e resultados concretos. As propostas devem estar vinculadas a um território identificável e podem abranger frentes como monitoramento ambiental, restauração ecológica, valorização de práticas culturais, segurança alimentar, adaptação climática, manejo do fogo e regularização fundiária.
As inscrições seguem abertas até 6 de julho de 2026 e devem ser feitas por meio de edital público disponível nos canais oficiais do Fundo Amazônia. O processo seletivo será dividido em duas etapas: habilitação, conduzida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, e análise qualitativa, realizada por comissões interinstitucionais organizadas por categoria. Entre as instituições participantes estão, além da COIAB, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas e a Rede de Povos e Comunidades Tradicionais.
Os critérios de avaliação consideram a consistência das propostas, o impacto na proteção territorial, o protagonismo de mulheres, a participação de jovens e a transmissão de saberes, ampliando o repertório coletivo de experiências na região.
O cronograma prevê a divulgação dos resultados em novembro, com cerimônias de premiação e ações de comunicação entre novembro e dezembro de 2026.
Criado em 2008, o Fundo Amazônia é reconhecido como uma das maiores iniciativas globais voltadas à redução de emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD+), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e gerido pelo BNDES. Em 2025, o Fundo atingiu seu maior volume anual de investimentos, com cerca de R$ 2 bilhões em projetos aprovados, ampliando sua atuação em áreas como restauração florestal, atividades produtivas sustentáveis, monitoramento ambiental e fortalecimento institucional, além de expandir ações de prevenção a incêndios para biomas como Cerrado e Pantanal.
Entre 2023 e 2025, foram aprovados e contratados R$ 4 bilhões em projetos, consolidando a retomada e a ampliação da capacidade operacional do Fundo, em uma agenda que reafirma o papel estratégico dos territórios e de seus povos na preservação da Amazônia.
Vanessa Serra é Jornalista. Ludovicense, filha de rosarienses.









