Do Maranhão para o Brasil: Núbia inicia turnê nacional e leva a força feminina do reggae

O reggae maranhense segue em movimento, alcançando novos territórios, gerações e sonoridades. Entre os destaques maiores dessa cena, Núbia deu início à turnê nacional do álbum Sabores no último dia 5 de março, com show na Casa Natura Musical, em São Paulo. A abertura já sinalizava o que viria pela frente: um encontro potente de mulheres, com participação de Célia Sampaio, referência histórica do gênero.

Selecionada pelo edital Natura Musical 2025/2026, a circulação Sabores coloca a artista em diálogo com nomes centrais da música brasileira contemporânea e amplia o alcance de uma obra que nasce profundamente conectada ao Maranhão. No palco, o espetáculo mergulha na estética do álbum visual e percorre diferentes camadas do reggae, do roots ao dub.

Nesse percurso, três nomes maranhenses se destacam como eixo simbólico e criativo dessa levada: Núbia, Célia Sampaio e Pantera Black. Três gerações, três presenças femininas que, cada uma a seu tempo, expandem o lugar da mulher dentro de um gênero historicamente marcado pela predominância masculina.

Com participações que atravessam o disco e o palco, como a de Pantera Black e da própria Célia, Núbia constrói uma narrativa que valoriza a coletividade e a continuidade. Uma cena que se fortalece no encontro.

Ao longo de duas décadas, o Natura Musical já impulsionou centenas de projetos em todo o país, contribuindo para a renovação da música brasileira e para a circulação de artistas em diferentes territórios. A aposta em experiências ao vivo e na diversidade de vozes reforça a importância de iniciativas que conectam público, criação e mercado.

Para Núbia, a seleção no edital reverbera além da conquista individual. É também reconhecimento de um trabalho coletivo, que envolve produção, pesquisa e construção de linguagem. A turnê se apresenta como mais um passo na consolidação de sua trajetória e na difusão da cultura maranhense pelo Brasil.

Com cerca de dez anos de carreira, a artista desponta como uma das principais representantes do reggae contemporâneo. Natural de São Luís,  cidade que carrega o título de “Jamaica Brasileira”, Núbia vem ocupando festivais, acumulando premiações e ampliando sua presença nas plataformas digitais.

Sua formação musical nasce no ambiente doméstico, entre vozes familiares e memórias afetivas, e se desdobra ao longo do tempo em referências diversas. Se no início o contato com o reggae veio por meio de artistas masculinos, o aprofundamento no gênero abriu caminho para o reconhecimento e a conexão com mulheres que também constroem essa história.

Ainda assim, os desafios persistem. O reggae, desde sua consolidação no Brasil, carrega estruturas marcadas por desigualdades de gênero. Núbia aponta para enfrentamentos cotidianos e para a necessidade de ampliar o debate, incorporando também dimensões como raça e sexualidade. A presença crescente de mulheres no cenário, por outro lado, revela transformações em curso.

Esse movimento ganha ainda mais força no encontro com Célia Sampaio, pioneira que abriu caminhos desde a década de 1980. Primeira mulher a gravar um álbum de reggae no Brasil, ela representa uma base sólida sobre a qual novas trajetórias se constroem.

Vanessa Serra é Jornalista. Ludovicense, filha de rosarienses.

Bacharel em Comunicação Social – habilitação Jornalismo, UFMA; com pós-graduação em Jornalismo Cultural, UFMA.

Assessora de Imprensa e Comunicação.

Pesquisadora musical e entusiasta da Cultura do Vinil/DJ.

Antes de dedicar-se ao conteúdo on-line, publicou o Diário de Bordo, na mídia impressa, por 25 anos. Marcou também sua atuação profissional, por 20 anos, desenvolvendo estratégias de produção e roteiro de programas de rádio e TV, com foco em entretenimento.

É criadora do projeto “Vinil & Poesia” com ações diversas, incluindo feira, saraus e produção fonográfica. Lançou a coletânea maranhense Vinil e Poesia – Vol. 1, em mídia física (LP) e plataformas digitais, reconhecida no Prêmio Papete 2021.

Em 2020, idealizou o programa “Alvorada – Paisagens e Memórias Sonoras”, inspirado nas tradições dos folguedos populares e lembranças musicais afetivas. Dentre as realizações, produz bailes e circuitos, a partir do Alvorada que tem formato original e inovador, 100% vinil, apresentado, ao ar livre, nas manhãs de domingo, com transmissão nas redes sociais e na Rádio Timbira FM.

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