Murrada Sound inaugura um novo momento na trajetória de Betto Pereira, artista que ocupa um lugar singular na música produzida no Maranhão e no Brasil. No disco, memória e invenção caminham juntas e alcança outras geografias sem perder densidade.
Com 10 faixas, o álbum articula referências diversas em uma construção precisa. Ritmos como carimbó, siriá e xaxado se encontram com o samba de roda, atravessados por pulsações do kuduro e ressonâncias da música cabo-verdiana. Nesse percurso, guitarradas, reggae e tambores de crioula e de mina dialogam com camadas eletrônicas e beats bem resolvidos, resultando em uma sonoridade atual, sofisticada e em permanente deslocamento.
Há também um olhar atento para o tempo presente. As composições tensionam temas que atravessam a vida contemporânea, ao mesmo tempo em que mantêm o corpo em movimento e afirmam vínculos com ancestralidade e celebração. O disco se sustenta em uma banda afinada com o gesto criativo do artista, ampliando as possibilidades de arranjo e interpretação.
Entre as participações, nomes como Gilberto Mineiro, Félix Alberto e Sérgio Barbosa somam camadas ao trabalho. A base instrumental reúne músicos que conduzem essa travessia com rigor e liberdade: Jesiel Bivis (arranjos, teclados, bateria, baixo, percussão e efeitos), Jessé Fonseca (arranjos, teclados, bateria, baixo e vocais), Edinho Bastos (guitarras e violões), Robertinho Chinês (cavaquinho), Daniel Cavalcante (trompete) e Vanderlina Brito (vocais), além da participação de Dark Brandão na faixa “Tibiri”.
A coordenação, produção executiva e técnica de som no estúdio Morada do Som levam a assinatura de Rose Carvalho, cuja condução assegura unidade estética e qualidade sonora ao projeto.
Vanessa Serra é Jornalista. Ludovicense, filha de rosarienses.









