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Samuca e a Selva lança “Pra Gente Se Acabar” e transforma incertezas em música

Depois de 11 anos de estrada, Samuca e a Selva lança nesta quarta-feira, 23 de setembro, o álbum “Pra Gente Se Acabar”. São 13 canções, além da faixa de introdução “Bença”, em um trabalho que atravessa a trajetória do grupo e encara, sem rodeios, as mudanças que o tempo impôs à banda e ao próprio mundo.

O título carrega mais de um sentido. “Pra gente se acabar” pode anunciar festa, entrega e dança até o último instante. Mas também traduz uma questão concreta vivida pelo coletivo: como manter na estrada, hoje, uma banda formada por dez músicos?

A pergunta acompanha o disco do começo ao fim. Sem decretar despedida, Samuca e a Selva admite que a continuidade do grupo está em discussão. Entre novas prioridades pessoais, mudanças no mercado da música e os desafios financeiros de sustentar uma formação desse tamanho, a banda resolveu transformar a incerteza em matéria artística.

O olhar se amplia para além da própria trajetória. Crise climática, guerras, inteligência artificial, pós-verdade, individualismo, saúde mental, especulação imobiliária, paixões, saudade e angústias atravessam o repertório. O resultado é um álbum que observa o tempo presente sem abrir mão de uma característica que acompanha a Selva desde o início: a música feita para o corpo.

Musicalmente, “Pra Gente Se Acabar” reúne referências que vão de Marku Ribas a Sade e mantém a mistura de música brasileira, ritmos latinos e jazz que ajudou a construir a identidade do grupo. A produção é de Marcos Maurício, parceiro da banda desde o primeiro álbum, “Madurar”, de 2016, com coprodução de Samuel Samuca, que assume a função pela primeira vez.

Uma das participações centrais do álbum está em “O Tempo Leva”, faixa-foco do lançamento. Aos 78 anos, Carlos Dafé divide os vocais com Samuca em um boogie brasileiro que fala sobre passagem do tempo, cura e a necessidade de encontrar alguma calma em meio à velocidade da vida.

A presença do chamado Príncipe do Soul Brasileiro também estabelece uma ponte entre gerações e dialoga diretamente com uma das referências musicais do disco.

As participações seguem com Silvia Machete, em “Teia de Aranha”, e o trio Abacaxepa — Bruna Alimonda, Carol Cavesso e Rodrigo Mancusi — em “Flor do Mistério”. O grupo também assina os backing vocals do álbum.

Mas talvez a participação mais afetiva esteja justamente na abertura. Em “Bença”, quem canta é Dona Deborah, avó de Samuca, aos 93 anos. Foi nela que o músico encontrou uma de suas primeiras referências para cantar. A voz da avó abrindo o disco acaba funcionando como aquilo que o próprio título da faixa anuncia: uma bênção antes da travessia.

O álbum levou 11 meses para ficar pronto, em meio às dificuldades para manter uma banda numerosa, o grupo decidiu investir tempo onde faltavam recursos. As gravações foram feitas na casa de Marcos Maurício, em um processo artesanal de experimentação, escuta e construção coletiva.

Essa concepção também orientou a identidade visual. A capa é uma pintura a óleo do artista SANTVS, construída a partir do encontro entre fé e medo, sagrado e profano, fim e festa. As fotografias são de Kim Costa e a identidade visual e diagramação, de Laercio Lopo.

O projeto ainda ganhou 13 visualizers, um para cada faixa, concebidos como fragmentos de um grande baile. A direção criativa é de Bruna Massarelli e Júlio Viela, com produção da Outros Filmes.

“Pra Gente Se Acabar” é uma realização da Caiana Produções, com lançamento pelo selo Gorillas Records e distribuição da OneRPM.

Uma década de Selva – Formada em São Paulo a partir do encontro do cantor e compositor Samuel Samuca com músicos ligados a projetos como Nômade Orquestra e Orquestra Brasileira de Música Jamaicana, Samuca e a Selva construiu sua trajetória sobretudo no palco.

Em pouco mais de uma década, o grupo recebeu indicação ao Prêmio da Música Brasileira, apareceu duas vezes entre os 50 melhores álbuns do ano da APCA e acumulou encontros musicais com nomes como Criolo, Liniker, Luedji Luna e CATTO.

Agora, em vez de antecipar respostas sobre o futuro, a banda prefere viver o ciclo do novo álbum.

Talvez seja esse o ponto central de “Pra Gente Se Acabar” e celebrar por caminhos inesperados.

SERVIÇO:

Álbum: Pra Gente Se Acabar
Artista: Samuca e a Selva
Lançamento: 23 de setembro de 2026
Disponível: em todas as plataformas digitais
Selo: Gorillas Records / Rocking Gorillas Music
Distribuição: OneRPM
Repertório: 13 canções + faixa de introdução “Bença”
Faixa-foco: “O Tempo Leva”, com Carlos Dafé
Participações: Carlos Dafé, Silvia Machete, Abacaxepa e Dona Deborah

SAMUCA E A SELVA É

Samuel Samuca (voz e flauta transversal), Carol Leão (teclados e voz), Allan Spirandelli (guitarras e voz), Léo Malagrino (baixo e voz), Guilherme Nakata (bateria e voz), Dominique Vieira (percussão), Kiko Bonato (sax tenor, sax alto e escaleta), Bio Bonato (sax barítono e flauta transversal), Felippe Pipeta (trompete) e Victor Fão (trombone).

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