
Com nomes expressivos da cultura maranhense, a onda verde e amarela em apoio à reeleição de Lula reverbera o protagonismo da arte e a disputa simbólica pela identidade nacional.
São Luís do Maranhão amanheceu nesta terça-feira, 20 de outubro, alvoraçada com a visita do candidato petista, otimizando o cenário político e cultural que tomou as redes sociais brasileiras em apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
O movimento repercute bem no estado e traz referências da música maranhense que ajudam a dimensionar a importância dessa participação artística. Em adesão ao debate público estão os mestres Josias Sobrinho e Chico Saldanha, além de Sérgio Habibe, Joãozinho Ribeiro, Rita Benneditto, Zeca Baleiro, Célia Sampaio, Rosa Reis, Itaércio Rocha, Rosa Ewerton Jara, Célia Leite, João Beydoun, Flávia Bittencourt, além de outros nomes de expressão na atuação local.
Vale ressaltar que no Maranhão, a cultura popular constitui uma das mais fortes e genuínas expressões de Identidade coletiva, e vai ao encontro da produção artística vinculada às questões sociais. Do bumba meu boi ao tambor de crioula, do reggae à música popular produzida nas diferentes regiões do estado, a arte maranhense sempre encontrou maneiras de interpretar a realidade social, de maneira independente.
Entretanto, a defesa da cultura também passa pela continuidade das políticas públicas, pelo reconhecimento dos trabalhadores do setor, pelo financiamento da produção independente e pela preservação da memória, tudo isso, são atributos genuínos e essa movimentação ganha relevância significativa numa eleição em que a disputa ultrapassa os palanques e alcança a música, o modo de vida e os símbolos nacionais.
Artistas de diferentes gerações se posicionam sobre os rumos do Brasil, enquanto a militância digital amplia a circulação de mensagens políticas e imagens geradas por I.A. O esforço ocorre num cenário eleitoral apertado. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 47,03% dos votos válidos no primeiro turno, enquanto Lula alcançou 45,16%. A diferença entre os dois candidatos foi de aproximadamente 2,23 milhões de votos.
Sob a perspectiva da semiótica, a retomada do verde e amarelo por apoiadores de Lula representa uma abordagem interessante para ressignificar símbolos que, nos últimos anos, passaram a ser fortemente associados ao bolsonarismo. A disputa ultrapassa o imaginário nacional sobre quem representa o Brasil, quais valores são atribuídos às suas cores e de que maneira a arte participa da construção desses sentidos. A bandeira é a mesma. O que está em disputa é o seu significado.
O mais curioso é observar essa inversão simbólica. Até pouco tempo, vestir a camisa da Seleção Brasileira era suficiente para despertar suspeitas, críticas e até episódios de cancelamento, como se o verde e amarelo denunciasse, por si só, uma posição política. Enquanto isso, no show business, os artistas internacionais exibiam a bandeira brasileira como expressão de admiração pelo país, mas parte dos próprios brasileiros se via constrangida a usá-la. Agora, os que se identificam historicamente com o vermelho também voltam a se reconhecer nas cores nacionais. O que é ótimo, diga-se de passagem. Pois, somos uma nação.
A camisa verde e amarela, onde estampa também a sigla da CBF, deixa de ser interpretada exclusivamente como marca de uma corrente política e reaparece nas manifestações de apoio a Lula. Uma mudança que evidencia a natureza mutável dos signos; tudo passa, as cores permanecem, mas seus significados estão sempre em transmutação. E, desta vez, “desde que a estrela se acendeu” cabe no verde e amarelo. A arte pode salvar novamente o Brasil? Eis a questão. A resposta virá nas urnas no próximo dia 25 de outubro.

(V.S)