Itaú Cultural Play exibe documentários paulistanos sobre a vida e cultura de povos indígenas do Brasil

Os documentários dirigidos por Claudiney Ferreira e Rogério Corrêa fazem uma imersão nas tradições dos povos Maxakali e Krenak, ambos do estado de Minas Gerais. Marcadas por perseguições e conflitos, estas populações indígenas usam seus idiomas e tradições para a preservação de suas identidades dentro da diversidade cultural brasileira.

A Itaú Cultural Play, plataforma de streaming do cinema brasileiro, encerra o mês de fevereiro com a exibição de quatro documentários paulistanos de curtas-metragens, cujo ponto central é a cultura indígena. Os filmes ficam disponíveis a partir do dia 23, sexta-feira – data que celebra os 37 anos do Itaú Cultural, fundado por Olavo Egydio Setubal, em 1987 – e podem ser acessados gratuitamente em www.itauculturalplay.com.br e dispositivos móveis Android e IOS. 

Yamiyxop – Os espíritos guerreiros, Língua e território e Trilha da Lagoa Seca, tem direção do jornalista e documentarista Claudiney Ferreira, que foi gerente do Núcleo de Audiovisual e Literatura do Itaú Cultural por 20 anos. Quem assina a direção de Reformatório Krenak é o também documentarista Rogério Corrêa. No conjunto os quatro filmes dão luz à cultura e à vida dos indígenas brasileiros, com foco nas nações Maxakali e Krenak. Todos têm produção do IC – o último em parceria com o Ministério Público Federal (MG)

 

Identidade Cultural

As produções mostram a contribuição valiosa desses povos de Minas Gerais para a diversidade cultural brasileira. As suas histórias são marcadas por momentos difíceis, mas também pela resiliência na preservação de suas identidades únicas, mantendo suas tradições nas atividades diárias. 

Reformatório Krenak revela a experiência desumana a que esta população foi submetida no estabelecimento criado em 1969 na ditatura militar brasileira, que dá nome ao filme. Pela voz de seus sobreviventes e descendentes, o documentário resgata as ações criminosas que aconteceram neste local, onde eles eram presos, torturados e serviram como mão-de-obra escravizada e violação aos direitos humanos indígenas.

Por trás da história de extermínio, existe uma narrativa de resiliência, luta e preservação da cultura dos Krenak – perseguidos desde o período colonial e atualmente situados, em sua maioria, em Resplendor (MG). A perseguição histórica e constante os forçou, em 1957, a se deslocarem para as terras indígenas dos Maxacali – tema dos outros documentários que chegam à plataforma –, retornando dois anos depois para seu território tradicional.

Em 5 de novembro de 2015, eles foram atingidos pelo maior desastre ambiental brasileiro: o rompimento da barragem de Fundão, reservatório de rejeitos de mineração – controlado pela Samarco – em Mariana (MG), na bacia hidrográfica do Rio Doce, que abrange 230 municípios. A devastação deixou 19 mortos e atingiu, entre outros, a comunidade Krenak de 400 pessoas, que vive em 4 mil hectares à margem esquerda do rio.

Atualmente, o povo reivindica uma revisão territorial de suas terras demarcadas com a adesão da área de Sete Salões – conjunto de cavernas considerado por eles terra sagrada –, além de seu direito à vida.

Maxakalis

Como em todo o país, antes da consolidação do estado de Minas Gerais, a região já era habitada por grupos indígenas. Devido às constantes interversões e perseguições, alguns deles se uniram em uma ampla coletividade que constituiu o povo Maxakali. Hoje, eles se estabeleceram em quatro áreas distintas do estado: nas aldeias de Água Boa, no município de Santa Helena de Minas; em Padrinho e Cachoeira, no município de Bertópolis; em Aldeia Verde, no município de Ladainha, e no distrito de Topázio, em Teófilo Otoni. 

Em Língua e Território, Ferreira registra as reflexões dos cineastas Isael e Sueli Maxakali. Eles vivem com outros indígenas no Vale do Mucuri, no estado mineiro, e falam sobre o uso de sua língua nativa, como instrumento de preservação de sua cultura e identidade. Esse idioma que, para eles, é cura, resistência e acesso ao mundo espiritual dá sentido à sua existência, permeada ao longo do tempo por graves problemas como o desaparecimento de florestas, epidemias, conflitos com homens brancos e formação de cidades que sufocam os seus povoados.

Fiel ao espírito da cultura oral, o mesmo diretor destaca no documentário Yamiyxop – Os espíritos guerreiros, a preservação das tradições dos Maxakalis pela transmissão de seus mitos de geração para geração. Em volta da fogueira, o professor Mamey Maxakali compartilha a história dos Yamiyxop, espíritos guerreiros que concretizam sua jornada espiritual na travessia de um rio. Neste cenário propício para a troca de saberes e experiências coletivas, eles contam histórias, cantam e discorrem sobre a conexão entre os espíritos-animais e os seres humanos.

Em Trilha da Lagoa Seca, o filme de Ferreira registra, de forma despretensiosa, a caminhada dos líderes indígenas pajé Mamey Maxakali, do cacique Syratã Pataxó e do emburé Pataxó pela trilha da Lagoa Seca, localizada na Reserva Pataxó de Jaqueira, na Bahia. Nesse trajeto, eles conversam sobre as semelhanças e diferenças culturais entre seus povos, meditam sobre as complexidades da natureza e a relação dos animais com o lugar, entre outros temas. 

 

SERVIÇO:

A partir de 23 de fevereiro, sexta-feira.

Em www.itauculturalplay.com.br

Documentários de curtas-metragens

Gratuito

 

Reformatório Krenak

(São Paulo, 2016)

Direção: Rogério Corrêa

Duração: 18 minutos
Classificação indicativa: maiores de 12 anos (descrição de violência, lesão corporal e tortura) – com autoclassificação

 

Yamiyxop – Os espíritos guerreiros

(São Paulo, 2017)

Direção: Claudiney Ferreira

Duração: 31 minutos

Classificação indicativa: livre- com autoclassificação

 

Língua e território

(São Paulo, 2017)

Direção: Claudiney Ferreira

Duração: 10 minutos

Classificação indicativa: livre- com autoclassificação

 

Trilha da Lagoa Seca

(São Paulo, 2017)

Direção: Claudiney Ferreira

Duração: 39 minutos

Classificação indicativa: livre- com autoclassificação

Vanessa Serra é Jornalista. Ludovicense, filha de rosarienses.

Bacharel em Comunicação Social – habilitação Jornalismo, UFMA; com pós-graduação em Jornalismo Cultural, UFMA.

Assessora de Imprensa e Comunicação.

Pesquisadora musical e entusiasta da Cultura do Vinil/DJ.

Antes de dedicar-se ao conteúdo on-line, publicou o Diário de Bordo, na mídia impressa, por 25 anos. Marcou também sua atuação profissional, por 20 anos, desenvolvendo estratégias de produção e roteiro de programas de rádio e TV, com foco em entretenimento.

É criadora do projeto “Vinil & Poesia” com ações diversas, incluindo feira, saraus e produção fonográfica. Lançou a coletânea maranhense Vinil e Poesia – Vol. 1, em mídia física (LP) e plataformas digitais, reconhecida no Prêmio Papete 2021.

Em 2020, idealizou o programa “Alvorada – Paisagens e Memórias Sonoras”, inspirado nas tradições dos folguedos populares e lembranças musicais afetivas. Dentre as realizações, produz bailes e circuitos, a partir do Alvorada que tem formato original e inovador, 100% vinil, apresentado, ao ar livre, nas manhãs de domingo, com transmissão nas redes sociais e na Rádio Timbira FM.

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