Pesquisa Nacional investiga dimensão econômica do Patrimônio Cultural no Maranhão

Trabalho de campo em andamento em São Luís revela práticas econômicas  ligadas ao Centro Histórico e ao Complexo Cultural do Bumba-meu-boi

Uma das mais importantes pesquisas em andamento no país sobre economia do patrimônio está em campo no Maranhão. Entre os dias 20 de junho e 1 de julho, a cidade de São Luís recebeu uma etapa fundamental da pesquisa Patrimônio Cultural, Economia e Sustentabilidade, realizada pelo Observatório da Economia Criativa (Obec) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O estudo pretende suprir uma lacuna crítica ligada à escassez de dados sobre a dimensão econômica do Patrimônio Cultural Brasileiro, por meio de um mapeamento inédito das práticas econômicas vinculadas a 12 bens culturais do país, reconhecidos como Patrimônio Cultural Mundial e da Humanidade pela Unesco. Na capital maranhense, uma equipe do Obec realizou escuta profunda com agentes que movimentam a economia do Centro Histórico e do Complexo Cultural do Bumba meu boi, dois bens culturais investigados nesse estudo.

“A cultura é motor de desenvolvimento, geração de renda e fortalecimento das identidades. Conhecer e valorizar as economias do patrimônio cultural é um passo estratégico para garantir sua preservação para as futuras gerações”, destaca Clara Marques, coordenadora geral de fomento e economia do patrimônio do Iphan.

Na passagem por São Luís, as pesquisadoras Caroline Fantinel e Jéssica Barbosa realizaram entrevistas com detentores de saberes populares, artesãos, moradores, comerciantes, produtores culturais, pesquisadores e gestores públicos.

“Estamos investigando como as pessoas mobilizam recursos, criam produtos e experiências, e como essas práticas econômicas contribuem para a preservação e a sustentabilidade dos bens culturais. Essa dimensão ainda é pouco estudada e tem enorme potencial para fortalecer políticas públicas e ações da sociedade civil, ligadas ao campo do patrimônio cultural”, explica Daniele Canedo, coordenadora desse trabalho e do próprio Obec.

Uma pesquisa que fortalece a cultura como vetor de desenvolvimento

Ao identificar atividades de criação, produção, difusão e fruição associadas aos bens culturais investigados, a pesquisa pretende gerar subsídios para políticas públicas mais eficazes nos níveis federal, estadual e municipal, além de inspirar práticas inovadoras da sociedade civil.

Esse estudo já concluiu sua primeira etapa, dedicada à sistematização teórica e metodológica. Em breve, será publicado o primeiro boletim com esses resultados. Desde o mês de maio, a equipe está em campo visitando oito estados brasileiros, realizando entrevistas, rodas de conversa, observações participantes e aplicação de questionários com agentes vinculados aos bens associados a esse trabalho.

Segundo a pesquisadora Caroline Fantinel, “essa etapa é essencial para compreendermos a complexidade dos modos de vida e sustento de agentes vinculados aos bens patrimonializados”.

O projeto, financiado por um Termo de Execução Descentralizada (TED) celebrado com o Iphan, segue em atividade até outubro de 2026, com previsão de lançamentos de boletins, relatório final e artigos científicos, além da construção de uma base de dados aberta para consulta pública.

Conheça os 12 bens culturais que integram a pesquisa

Esse mapeamento abrange um conjunto diverso e representativo de bens culturais brasileiros reconhecidos internacionalmente pela Unesco. Seis deles são patrimônios materiais classificados como Patrimônio Mundial, e outros seis são imateriais, inscritos como Patrimônio Cultural da Humanidade. Esses bens foram selecionados a partir de critérios que garantem diversidade territorial, tipológica e sociocultural, permitindo à pesquisa investigar como diferentes formas de patrimônio cultural se relacionam com práticas econômicas e com a sustentabilidade de suas comunidades.

Entre os bens materiais estão os centros históricos de Salvador (BA), São Cristóvão (SE), São Luís (MA) e Olinda (PE), além do Parque Nacional Serra da Capivara (PI) e das Ruínas de São Miguel das Missões (RS). Já entre os bens imateriais, encontram-se o Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão (MA), o Círio de Nossa Senhora de Nazaré (PA), a Arte Kusiwa – Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajãpi (AP), o Frevo (PE), o Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA) e a Roda de Capoeira (com abrangência nacional).

Sobre o Obec

Criado em 2014 e sediado no Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da Universidade Federal da Bahia, o Observatório da Economia Criativa é um grupo interinstitucional e multidisciplinar que desenvolve pesquisas, projetos e formações nos campos da arte, da cultura e da economia criativa, promovendo uma gestão cultural baseada em evidências. Atua desde sua origem com foco em inclusão, engajamento territorial e fortalecimento das políticas culturais no Brasil; além de reunir pesquisadores da UFBA, UFRB, UNEB e colaboradores de diversos estados brasileiros.

Sobre o Iphan

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural (Iphan) é uma autarquia federal criada em 1937 e está vinculada ao Ministério da Cultura (MinC). A instituição promove a preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro de forma sustentável em todo o território nacional, contribuindo para a cidadania plena e para o reconhecimento, valorização e difusão da diversidade cultural do país.

Vanessa Serra é Jornalista. Ludovicense, filha de rosarienses.

Bacharel em Comunicação Social – habilitação Jornalismo, UFMA; com pós-graduação em Jornalismo Cultural, UFMA.

Assessora de Imprensa e Comunicação.

Pesquisadora musical e entusiasta da Cultura do Vinil/DJ.

Antes de dedicar-se ao conteúdo on-line, publicou o Diário de Bordo, na mídia impressa, por 25 anos. Marcou também sua atuação profissional, por 20 anos, desenvolvendo estratégias de produção e roteiro de programas de rádio e TV, com foco em entretenimento.

É criadora do projeto “Vinil & Poesia” com ações diversas, incluindo feira, saraus e produção fonográfica. Lançou a coletânea maranhense Vinil e Poesia – Vol. 1, em mídia física (LP) e plataformas digitais, reconhecida no Prêmio Papete 2021.

Em 2020, idealizou o programa “Alvorada – Paisagens e Memórias Sonoras”, inspirado nas tradições dos folguedos populares e lembranças musicais afetivas. Dentre as realizações, produz bailes e circuitos, a partir do Alvorada que tem formato original e inovador, 100% vinil, apresentado, ao ar livre, nas manhãs de domingo, com transmissão nas redes sociais e na Rádio Timbira FM.

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