A Vagabunda, Revista de uma mulher só” – Música e dramaticidade em um pocket show

Uma celebração da música feita por mulheres! Neste sábado, 05 de abril, às 20h, o Teatro Xama será palco de um pocket show com a cantora/atriz Gisele Vasconcelos que vai interpretar as canções de “A Vagabunda, Revista de uma mulher só” compostas por Didã, Lúcia Santos e Chiquinha Gonzaga.

A artista estará acompanhada de uma banda incrível: Aline Oliveira(violão); Paulinha Trindade(percuteria); Sarah Byancci(sax e flauta); Thaynara Oliveira (violino), Mellanie Carolina (baixo) e Rui Mário (direção musical, sanfona e piano). A direção geral é de Nicolle Machado e Nádia Ethel faz a produção técnica de palco e Adilson Azevedo a montagem e técnica de som. A preparação vocal de Gisele Vasconcelos para as canções foi feita por Gustavo Correia e pelo fonoaudiólogo Fábio Abreu. 

Com produção do Xama Teatro e da Poli.cia o evento tem o apoio da Academia do Show e é realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio do Governo Federal e da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão. 

O foco do projeto é gerar visibilidade às mulheres artistas, atrizes, compositoras, instrumentistas. O campo das artes, em especial a música, revela a presença desigual de nomes femininos em relação aos homens. Essa realidade se agrava em nossa região e nos chama para um a(r)tivismo feminista com intersecções entre arte, política e feminismo, que alimenta o projeto A Vagabunda – revista de uma mulher só, entre as suas variantes de ações tem-se a produção musical da trilha sonora. O show tem a duração de 1hora e segue o roteiro das canções da peça: Fendas de Luz, Marcha A Múmia, Escandalosa, Vedete, Abre Alas, Menina Faceira e Rosas Embrutecidas. 

Na história do Teatro Brasileiro e Teatro Maranhense, a música sempre ocupou um lugar de destaque. Chiquinha Gonzaga, que está presente na Trilha Sonora de A Vagabunda, teve grande contribuição nas composições no Teatro de Revista, inúmeras de suas obras musicais ganharam popularidade nos palcos teatrais, a exemplo de seu maior sucesso: “Ô Abre Alas”, criada em 1899, a marchinha, foi readaptada em 1904, para a peça teatral “Maxixe de Cordão”. 

MENINA FACEIRA, outra canção de Chiquinha Gonzaga que compõe a trilha de A Vagabunda, foi composta em 1885, para a opereta A corte na roça e foi aproveitada de forma contínua no teatro musicado da época, como tango da comédia A filha do Guedes, na revista Pomadas e farofas, entre outras. 

Sobre o processo de composições das canções autorais da peça, Gisele nos diz: “Eu enviava as demandas das canções de cada cena, com trechos, estrofes, poemas que estávamos experimentando na escrita do texto e nos ateliês de criação e a Didã, com sua musicalidade incrível, tinha total autonomia para criar, cortar, colar, separar. Toda essa comunicação era feita via whatsapp pois a criação das canções foi realizada no período pandêmico, de julho a outubro de 2020. A primeira canção, por exemplo, enviei um texto inicial, que poderia ser excluído e no lugar dele poderia entrar uma música, trazia como temática, a história da Santa Bárbara, “a vagabunda”, que teve os seios cortados em praça pública e a cabeça decapitada pelo próprio pai e que séculos depois foi canonizada. Falava também pra ela sobre uma ideia de tempo-ritmo, sensação, cuja canção poderia iniciar como uma chuva fina e se desenvolver como uma tempestade. Daí surgiram as primeiras canções da peça, Fendas de Luz, Vedete e a marchinha Marcha A Múmia, que foi enviada via áudio de whatsapp, com voz e violão, por Didã e então, trabalhava o tom e afinação com

Gustavo Correia e mandava a gravação com a minha voz e piano para Rui que partia para fazer os arranjos e enviava a partitura para a banda.” 

E assim cada música tem uma história para contar. A canção Vedete, veio do poema da Lúcia Santos, Vedete, que já nasceu canção, pois foi o seu poema mais musicado e ganhou a melodia da Didã e arranjos do Rui Mário, para a peça. 

A trilha musical do espetáculo A Vagabunda, uma produção dos grupos Xama Teatro e Poli.cia, do Maranhão, Brasil, está em todas as plataformas. O álbum contém 6 músicas, sendo 4 delas compostas exclusivamente para a peça pela cantora e compositora maranhense radicada no Rio de Janeiro, Didã e duas compostas pela compositora, instrumentista e maestrina do séc. XIX, Chiquinha Gonzaga.

Acesse aqui: https://open.spotify.com/intl-pt/album/6mq9vl7qo7Y2b8LmbPrUJ9?si=PhDI28arSeyNP5eifby07w

Serviço:

O quê: Pocket show Trilha Sonora do espetáculo A Vagabunda 

quando: dia 05 de abril, às 20h 

onde: Teatro Xama – Rua das Esmeraldas, q 01 casa 03, Quintas do Sol, Araçagy, São José de Ribamar (entre a Upa e o Tchê) 

Vanessa Serra é Jornalista. Ludovicense, filha de rosarienses.

Bacharel em Comunicação Social – habilitação Jornalismo, UFMA; com pós-graduação em Jornalismo Cultural, UFMA.

Assessora de Imprensa e Comunicação.

Pesquisadora musical e entusiasta da Cultura do Vinil/DJ.

Antes de dedicar-se ao conteúdo on-line, publicou o Diário de Bordo, na mídia impressa, por 25 anos. Marcou também sua atuação profissional, por 20 anos, desenvolvendo estratégias de produção e roteiro de programas de rádio e TV, com foco em entretenimento.

É criadora do projeto “Vinil & Poesia” com ações diversas, incluindo feira, saraus e produção fonográfica. Lançou a coletânea maranhense Vinil e Poesia – Vol. 1, em mídia física (LP) e plataformas digitais, reconhecida no Prêmio Papete 2021.

Em 2020, idealizou o programa “Alvorada – Paisagens e Memórias Sonoras”, inspirado nas tradições dos folguedos populares e lembranças musicais afetivas. Dentre as realizações, produz bailes e circuitos, a partir do Alvorada que tem formato original e inovador, 100% vinil, apresentado, ao ar livre, nas manhãs de domingo, com transmissão nas redes sociais e na Rádio Timbira FM.

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