
Os três catedráticos assumem o posto conduzido antes pela artista visual baiana Arissana Pataxó, a antropóloga amazonense Francy Baniwa e a curadora sul-mato-grossense Sandra Benites. A nova titularidade abrange o biênio 2025-2026, com o tema Territórios: diversidades, desigualdades e aprendizados sociais.
No dia 18 de agosto (segunda-feira), às 14h30, acontece a cerimônia de posse dos novos titulares da Cátedra Olavo Setubal – Transversalidades: Arte, Cultura, Ciência e Educação, realizada em parceria entre o Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP) e a Fundação Itaú. O programa Territórios: Diversidades, Desigualdades e Aprendizados Sociais será desenvolvido até meados de 2026, pelo músico, empreendedor social e escritor Alemberg Quindins, criador da Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri, em Nova Olinda (CE); pelo filósofo e educador, Fernando José Almeida, que atua como professor universitário e gestor público na área de educação de São Paulo, onde já foi secretário municipal; e Nísia Trindade Lima, socióloga, professora universitária e a primeira mulher a presidir a Fiocruz e a responder pelo Ministério da Saúde.
O evento da posse acontecerá presencialmente em cerimônia na Sala do Conselho Universitário da USP, em São Paulo, e contará com transmissão ao vivo pelo site do IEA http://www.iea.usp.br/aovivo. É necessário fazer inscrição prévia online para acompanhar a atividade presencialmente ou on-line: iea.usp.br/eventos/titulares-
Em seu 11º ano, a cátedra dá início à proposta voltada às transversalidades, ampliando horizontes e campos de atuação. Antes direcionada à arte, cultura e ciência, agora inclui a educação e passa a se chamar Cátedra Olavo Setubal – Transversalidades: Arte, Cultura, Ciência e Educação. Também, a parceria institucional com o Instituto de Estudos Avançados da USP nessa ação, que por 10 anos foi feita com o Itaú Cultural, passa a ter à frente a Fundação Itaú, que abrange, além do IC, o Itaú Educação e Trabalho e o Itaú Social.
Diversidade
Dentro desta nova diretriz, o encontro entre Alemberg Quindins, Fernando José Almeida e Nísia Lima na Cátedra Olavo Setubal cria um espaço de convergência entre arte, cultura, ciência, educação, saúde e gestão pública, articulando saberes acadêmicos, iniciativas institucionais e experiências territoriais.
O ponto central das discussões será o território, que no século XX deixou de ser considerado apenas um espaço delimitado geograficamente para constituir-se numa construção social moldada pelas relações de poder e práticas sociais. Com essa ampliação de significado, o território passa a ser visto como um campo de relações, memórias, afetos, lutas e criação coletiva, no qual se evidenciam desigualdades históricas e estruturais, mas também onde florescem redes solidárias, respostas criativas e aprendizados sociais.
Plano de atividades
A partir desse panorama e das áreas de atuação dos novos titulares, o plano de atividades do programa inclui três iniciativas. A primeira delas é a série Cátedra em Movimento – Encontros Territoriais, que compreende a realização de atividades em diversos lugares entre os meses de junho a outubro deste ano – a ação teve início em julho, com encontros na Fiocruz e redondezas, no Rio de Janeiro, e em Nova Olinda, no Ceará.
A segunda iniciativa será a realização do seminário Territorialidade: Diversidades, Desigualdades e Aprendizados Sociais, prevista para acontecer em novembro de 2025, fazendo um balanço dos encontros territoriais. Por fim, no primeiro semestre de 2026, será oferecida a disciplina de pós-graduação Territorialidade: Diversidades, Desigualdades e Aprendizados Sociais, em parceria com a Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP.
Transversalidade
A abordagem metodológica do programa será a da transversalidade, integrando arte, ciência, cultura, educação e saúde, sem fronteiras disciplinares. O programa será desenvolvido a partir de uma série de eixos estruturantes, entre os quais o olhar ao pertencimento ao território, com ênfase na exploração das relações entre espaço, memória, afetividade e identidade.
O programa também analisará as múltiplas desigualdades dos territórios a serem estudados, com a preocupação de identificar estratégias públicas de enfrentamento adequadas às especificidades locais. Em paralelo, os catedráticos trarão um olhar crítico às perspectivas que faltam ao Brasil, em especial aos grupos que mais sofrem o impacto das desigualdades sociais – sejam elas de classe, gênero ou etnorraciais.
Serão investigados, ainda, temas como memória, trabalho e política, como campos de aprendizado, resistência e reinvenção social. Já entre os aspectos ligados às experiências, serão analisadas as práticas educativas enraizadas nas realidades locais; as lições e novas práticas emergentes em função da pandemia de Covid-19; e o mapeamento, articulação e fortalecimento de redes institucionais, acadêmicas e comunitárias.
No âmbito cultural, haverá um cuidado maior ao reconhecimento do patrimônio como catalisador de inclusão e identidade, integrando arqueologia social inclusiva, museus orgânicos, moradas de conteúdo e saberes de mestres locais. Isso sem contar a preocupação com a ética do cuidado do futuro, com discussões sobre o compromisso com a responsabilidade intergeracional e com os princípios de sustentabilidade para orientar ações presentes e futuras.
Sobre a cátedra
A Cátedra Olavo Setubal é uma realizada em parceria entre o IEA/USP e a Fundação Itaú. Foi criada em 2015 com a proposta de fomentar reflexões interdisciplinares sobre temas acadêmicos, artístico-culturais e sociais nos âmbitos regional e global.
A cada ano é eleito um titular para orientar as atividades da cátedra. Em 2016, o cargo foi ocupado pelo diplomata Sérgio Paulo Rouanet, sucedido no ano seguinte por Ricardo Ohtake, diretor do Instituto Tomie Ohtake. Em 2018, quem assumiu a posição foi a educadora e ativista social Eliana Sousa Silva, diretora-fundadora da Redes da Maré, e, no ano seguinte, a titularidade dupla foi conduzida pelo curador e crítico de arte Paulo Herkenhoff e a bioquímica e professora Helena Nader.
Em 2021, o catedrático foi o antropólogo argentino Néstor García Canclini, substituído em 2022/2023 pela escritora Conceição Evaristo. E entre 2024 e 2025, contou com uma titularidade tripla, feminina e indígena, tendo à frente a artista visual Arissana Pataxó, a antropóloga Francy Baniwa e a curadora Sandra Benites.
SERVIÇO:
Posse dos novos titulares da Cátedra Olavo Setubal – Transversalidades: Arte, Cultura, Ciência e Educação
Ação realizada em parceria entre o Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP) e a Fundação Itaú.
Dia 18 de agosto (segunda-feira), às 14h30
Na Sala do Conselho Universitário
Rua da Reitoria, 374, Butantã, São Paulo, SP
Gratuito
Inscrição prévia para o evento presencial ou on-line pelo link:
Transmissão ao vivo pelo link:
Vanessa Serra é Jornalista. Ludovicense, filha de rosarienses.










