No dia 6 de janeiro, data que marca o Dia de Reis no calendário cristão, a Casa das Minas reafirma sua centralidade como espaço de preservação da cultura afro-brasileira. O terreiro, referência da tradição do Tambor de Mina Jeje, insere-se no clima simbólico do ciclo natalino ao mesmo tempo em que afirma sua própria cosmologia, profundamente enraizada na ancestralidade africana. A programação do Dia de Reis na Casa das Minas nesta terça-feira inclui missa às 11h e ladainha às 20h.
O Dia de Reis celebra, na tradição cristã, a visita dos Reis Magos ao Menino Jesus e representa o ponto culminante das festividades iniciadas no Natal. Em diversas regiões do Brasil, a data ganha forma por meio da Folia de Reis e do Reisado, manifestações populares que unem música, dança, cortejos e personagens simbólicos. Em Minas Gerais, a Folia de Reis é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial, enquanto no Maranhão o Reisado mantém presença viva e expressiva, com grupos que encenam a jornada dos Reis Magos por meio de cantos, coreografias e figuras como Reis, Rainhas e o Anjo anunciador.
Ao celebrar o Dia de Reis, a Casa das Minas se insere no ambiente cultural que envolve a data em todo o país, dialogando com o calendário festivo brasileiro e reafirmando a pluralidade de expressões que convivem nesse período. Enquanto folias e reisados ocupam ruas e comunidades, o terreiro fortalece sua tradição por meio do Tambor de Mina, revelando a riqueza de um Brasil que se constrói a partir do encontro entre diferentes matrizes culturais.
A celebração na Casa das Minas evidencia a potência da herança afro-brasileira no Maranhão e reforça a importância da convivência entre diversas formas de celebrar o sagrado, o tempo e a memória coletiva.
Nesse mesmo período festivo, a Casa das Minas realiza suas celebrações dentro da lógica própria do Tambor de Mina, tradição religiosa trazida ao Maranhão por povos africanos da região do antigo Daomé.
Vanessa Serra é Jornalista. Ludovicense, filha de rosarienses.










