Em São Paulo, buscando revisitar a trajetória da cannabis no Brasil longe de estigmas, o ator Luis Navarro se reúne aos intérpretes Wesley Guimarães, Timm Arif e Danilo Moura e à diretora Renata Carvalho para a estreia de “Diamba”, no dia 27 de outubro de 2025, na sede do Teatro da Vertigem, no Bixiga. A temporada segue até 11 de dezembro.
O espetáculo nasce a partir da HQ documental “Diamba, Histórias do Proibicionismo no Brasil”, de Daniel Paiva, e propõe uma abordagem ética e responsável sobre o tema. “Desde a primeira leitura, eu já visualizava cenas. E para mim era importante criar uma peça positiva, sem prisões ou violência em cena, embora o livro mostre a relação da maconha com o racismo estrutural”, afirma Renata.
A montagem explora diferentes dimensões da diamba — termo usado como sinônimo de cannabis — incluindo usos medicinais, recreativos e ritualísticos. A apresentação inclui diálogo com a plateia, sempre com participação de um médico ou cientista, reforçando o caráter formativo do trabalho.
A narrativa tem início com a chegada da planta ao território brasileiro junto à população escravizada. “A cannabis é tida como planta de Exu, porque permite comunicação entre mundos — talvez por isso tenha sido criminalizada”, observa a diretora. Outro eixo dramatúrgico é a desinformação. Segundo Renata, foi um brasileiro quem equiparou publicamente a maconha ao ópio e à cocaína, em um discurso atravessado por moral religiosa.
Música como motor dramatúrgico
A trilha tem papel central na encenação. Danilo Moura assina a direção musical e Zeus a produção. As composições são originais, algumas musicadas a partir dos textos da HQ. O repertório atravessa sonoridades negras ligadas a religiões de matriz africana, além de afrobeat, jazz, blues, samba, capoeira e conga. Em cena, há tambores, pandeiros e bateria elétrica.
Manifesto cênico
“Diamba” se afirma como manifesto antirracista pela legalização da cannabis e pela defesa das liberdades individuais. A peça questiona as razões da proibição de uma planta milenar, com benefícios medicinais já reconhecidos pela ciência e potencial para substituição do plástico.
De volta aos palcos após uma década, Luis Navarro buscava um texto com o qual se identificasse. “Percebi que poderia virar teatro. Para mim, é uma questão de saúde pública”, diz. A montagem também firmou parceria com a VerdeVida Associação, que auxilia pessoas que utilizam o óleo medicinal. Após as sessões, o público poderá esclarecer dúvidas com pesquisadores da entidade.
Serviço
Diamba
Quando: 27/10 a 11/12/2025 — seg. a qua., 20h; qui (20 e 27/11), 20h
Onde: Sede do Teatro da Vertigem — R. Treze de Maio, 240, 1º andar, Bixiga, São Paulo
Duração: 70 min | Classificação: 16 anos
Ingressos: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia) — https://www.sympla.com.br/evento/diamba/3153424
Tel.: (11) 3031-7138
Capacidade: 60 lugares
Acessibilidade: o espaço não possui acessibilidade

Vanessa Serra é Jornalista. Ludovicense, filha de rosarienses.









