
A Casa de Nagô realiza em 2026 o tradicional Festejo do Divino Espírito Santo, consolidando sua importância como uma das principais referências do Tambor de Mina no Maranhão. Fundada no século XVIII e tombada como patrimônio estadual, a casa incorpora nesta edição o debate sobre justiça climática, aproximando saberes ancestrais dos desafios ambientais contemporâneos.
A programação reúne rituais e celebrações que mobilizam a comunidade ao longo de diferentes etapas, como abertura da tribuna, buscamento e levantamento do mastro, missa na Igreja de São Pantaleão, Festa Grande, derrubamento do mastro, ladainhas e roda de Tambor de Crioula para São Benedito.
Além do caráter religioso e cultural, o festejo fortalece ações comunitárias ligadas à segurança alimentar e ao acesso à cultura, com distribuição gratuita de alimentos e ocupação cultural do território. A participação das crianças no Império do Divino e o protagonismo das mestras caixeiras reforçam a continuidade de tradições transmitidas pela oralidade.
Neste ano, a celebração também propõe reflexões sobre sustentabilidade ritual. Símbolo central da festa, o mastro, antes retirado diretamente da floresta, hoje precisa ser adquirido em madeireiras, evidenciando impactos ambientais e mudanças nas práticas tradicionais.
Como parte da programação formativa, o festejo realiza a roda de conversa “O mastro do Divino – Desmatamento, Racismo Ambiental e Tradições Afro-Religiosas”, além da oficina “Sete Tipos de Ervas”, dedicada aos usos ritualísticos, medicinais e ecológicos das plantas sagradas.
Ao reunir espiritualidade, memória e consciência ambiental, a Festa do Divino da Casa de Nagô mantém viva uma das tradições mais importantes do Maranhão e amplia o diálogo entre cultura popular, território e preservação.
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Vanessa Serra é Jornalista. Ludovicense, filha de rosarienses.









