Ora, pois, será apenas uma coincidência? Nesta terça-feira, 13, noite de amanhecer ao som dos tambores em São Luís do Maranhão, de acender as velas e fazer uma oração diante do Gongá sentindo a força da ancestralidade nos guiando, também marca a celebração da missa de sétimo dia de Patativa (Maria do Socorro Silva), que deixou este plano terrestre, aos 87 anos, no último dia 06 de maio.
Notável voz feminina de toda essência da Cultura Popular mais nobre e genuína. Brincante dos Fuzileiros da Fuzarca, do Boi da Madre Deus, da Turma do Quinto, d’A Vida é uma Festa… Do Samba ao Reggae…Imaginem só essa mulher que desafiou os costumes atravessando gerações, sempre com irreverência e bom humor; enfrentou todos os ismos estruturais; e em meio às adversidades, criou família, conquistou casa própria, aposentadoria; e só depois de setenta e lá vai pedra, gravou seu primeiro álbum (mas com toda a pompa que merece, diga-se de passagem) e reunia a rapaziada todo dia 05 de outubro, para comer aquele mocotó e feijoada e beber sua especiaria, o grelo da nega.
Ah, Patativa, você que me dizia que eu era das letras, vou molhar umas palavras pra ti… E procurar uma roda para baiar nesta noite de Pretos Velhos, minha preta.
És tu, Patativa, certamente, uma dessas entidades de luz, sabedoria e paciência, que representa os ancestrais que viveram a dor da escravidão, mas também a força da libertação espiritual. Saravá!
A missa de sétimo dia em memória de Patativa acontece nesta terça-feira, 13 de maio, às 18h00, na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, situada na Rua do Egito, Centro Histórico. Embora, o sétimo dia do falecimento tenha completado ontem, 06, e de acordo com a peculiaridade de sempre e sobre o poder da escolha, é claro, por ela havia de ser diferente.

(V.S)
Vanessa Serra é Jornalista. Ludovicense, filha de rosarienses.









