Ocupação Naná Vasconcelos está em cartaz no Itaú Cultural em São Paulo

Quem estiver em São Paulo (SP) um roteiro imprescindível é visitar a Ocupação Naná Vasconcelos, dedicada ao músico pernambucano que dá nome à mostra. A exposição reúne cerca de 90 peças, distribuídas em seis eixos, cujos nomes são guiados por nomes de álbuns de Naná.

Eles acompanham o seu percurso entre uma ampla seleção de fotos, vídeos, vestimentas, instrumentos e objetos originais – como uma das premiações recebidas por ele: o Grammy Latino, conquistado em 2011 pelo álbum Sinfonia e Batuques. Tem também objetos originais nunca expostos, como o berimbau construído por ele mesmo em 1967 – com uma corda de piano afinada em Fá, em substituição à tradicional –, que o acompanhou a vida toda.

Além dele, terá um dos dois tapetes onde Naná colocava os seus instrumentos sobre os palcos, que percorreu o Brasil e o mundo. Em um ambiente totalmente musical, com cores em tons terrosos, a mostra tem concepção e realização do Itaú Cultural, e o núcleo de Curadorias e Programação Artística assina a linha curatorial. Patrícia Vasconcelos, mulher de Naná, fez a consultoria e o jornalista Mateus Araújo, toda a pesquisa. A expografia é da Casa Criatura. Por lá, nesta quinta-feira, 18, tem show de Silvanny Sivuca; na sexta-feira, dia 19, Badi Assad; e Anelis Assumpção faz show no sábado – sempre às 20h – e Lan Lanh, às 19h do domingo. A Ocupação Naná Vasconcelos está no Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149, próximo à estação Brigadeiro do metrô) até 27 de outubro.

Visite virtualmente: itaucultural.org.br/ocupação.

 

SAIBA MAIS:

Os álbuns Sinfonia e BatuquesIsso Vai Dar Repercussão, CodonaContando estórias e Africadeus dão o tom para as diferentes etapas da vida do artista, que o público vai desvendando no passo a passo. O sexto eixo, leva o nome do próprio homenageado e se encontra com o primeiro, completando a espiral de sua vida.

Ao entrar em Sinfonia e Batuques, o visitante é recebido com um grande vídeo da abertura do carnaval de 2024. Este espaço tem foco no espírito carnavalesco recifense que sempre ferveu no sangue de Naná Vasconcelos. Ele acolhe manequins vestindo roupas usadas nessa grande festividade por ele, que sempre escolhia as cores de acordo com o orixá do ano, além de objetos e entrevistas gravadas com outros carnavalescos, como André Brasileiro e Favio Soter, da Associação dos Maracatus Nação de Pernambuco (Amanpe). Tudo isso é acompanhado pelo som deste que foi o seu último álbum, gravado em 2011, cinco anos antes de sua morte.

Começa, assim, o passeio pela vida do artista, iniciado, ainda criança, no mundo da percussão, observando os ensaios do pai, com quem chegou a se apresentar no bloco Batutas de São José. Ele aprendeu sozinho a tocar os mais diferentes instrumentos de percussão, especializou-se no berimbau e seguiu pelo mundo. Foi de Naná, a façanha de reunir 13 blocos recifenses, que sempre competiram entre si, somando mais de 500 batuqueiros sob sua regência.

No passo seguinte, dois eixos-álbuns se tocam: Isso Vai Dar Repercussão Codona em um passeio pelas suas parcerias nacionais e internacionais – foram mais de 400 desde 1966. O primeiro, ele gravou com Itamar Assumpção. Por isso mesmo, aqui se ouve Anelis Assumpção declamar um poema que ela compôs para Naná, especialmente para a mostra. Fotos do percussionista com parceiros de toda a vida, vídeo com depoimentos desses seus pares, tablets com playlist de músicas gravadas com ele, além de objetos pessoais e uma linha do tempo para acompanhar essa trajetória musical, que lhe rendeu diversos Grammys, complementam o espaço.

Codona, ele gravou com  Collin Walcott e Don Cherry. Neste eixo, o público tem acesso à capa original do álbum, que esteve todos esses anos guardado no acervo pessoal da família, e ouve as músicas por meio de um tablet. Aqui se faz um mergulho nas parcerias internacionais. Uma árvore estilizada incrustada na parede, acende quando o público se aproxima e ilumina nomes de brasileiros que contribuíram para a história do jazz ao longo do tempo.

Seguindo o trajeto, Contando Estórias abre passo para a relação musical de Naná com as crianças. O álbum que dá nome a esse eixo foi gravado por ele em 1994 e emoldura a sua ligação a projetos sociais que envolvem a meninada. Um deles, ABC Musical, realizado com o maestro Gil Jardim, nos anos de 1990, envolveu crianças de todo o Brasil. Desembocou em Língua Mãe,  no qual se somaram os pequenos de Angola, Brasil e Portugal. Este espaço também apresenta os seus objetos musicais como verdadeiras obras de arte.

Africadeus batiza o coração da mostra. Este álbum de estreia, gravado por Naná em 1971, apresenta o momento em que o artista se iniciou no berimbau como instrumento musical que pode ser utilizado além da capoeira. Ele é exibido como objeto nobre, envolto por cordas que sustentam uma chuva de pedras utilizadas para tocar o instrumento.

Neste eixo, o público entra na intimidade de Naná ao assistir a vídeo-depoimentos de sua filha Luz e de sua companheira Patrícia, que moram em Nova York, e ao ver séries de  fotografias do álbum de família que o mostram desde pequenino e o seguem pela vida afora.

Esse espaço mais intimista do artista dá passo para o eixo que leva seu próprio nome e se encontra com o primeiro, completando a espiral da vida do artista. Aqui se encontra um dos dois únicos tapetes originais, que ele usou a vida inteira em suas apresentações – neles, Naná colocava os instrumentos que utilizaria durante o espetáculo. Tem, ainda, uma projeção de trechos de entrevista que ele deu para o programa Ensaio, da TV Cultura,  e alguns pequenos instrumentos de percussão.

Ocupação Naná Vasconcelos

Abertura: 17 de julho, às 20h

Visitação: até 27 de outubro

Piso térreo

 

Concepção e realização: Itaú Cultural
Curadoria: equipe Itaú Cultural — gerência de Curadorias e Programação Artística

Consultoria: Patrícia Vasconcelos
Projeto expográfico: Casa Criatura
Pesquisa: Mateus Araújo

Itaú Cultural

Avenida Paulista, 149, próximo à estação Brigadeiro do metrô

Visitação:

Terça-feira a sábado, das 11h às 20h; domingos e feriados, das 11h às 19h.

Entrada gratuita

Acesso para pessoas com deficiência física

Estacionamento: entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108.

Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.

Vanessa Serra é Jornalista. Ludovicense, filha de rosarienses.

Bacharel em Comunicação Social – habilitação Jornalismo, UFMA; com pós-graduação em Jornalismo Cultural, UFMA.

Assessora de Imprensa e Comunicação.

Pesquisadora musical e entusiasta da Cultura do Vinil/DJ.

Antes de dedicar-se ao conteúdo on-line, publicou o Diário de Bordo, na mídia impressa, por 25 anos. Marcou também sua atuação profissional, por 20 anos, desenvolvendo estratégias de produção e roteiro de programas de rádio e TV, com foco em entretenimento.

É criadora do projeto “Vinil & Poesia” com ações diversas, incluindo feira, saraus e produção fonográfica. Lançou a coletânea maranhense Vinil e Poesia – Vol. 1, em mídia física (LP) e plataformas digitais, reconhecida no Prêmio Papete 2021.

Em 2020, idealizou o programa “Alvorada – Paisagens e Memórias Sonoras”, inspirado nas tradições dos folguedos populares e lembranças musicais afetivas. Dentre as realizações, produz bailes e circuitos, a partir do Alvorada que tem formato original e inovador, 100% vinil, apresentado, ao ar livre, nas manhãs de domingo, com transmissão nas redes sociais e na Rádio Timbira FM.

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