Teatro do Oprimido de Ponto em Ponto, desenvolvido pelo Núcleo de Teatro do Oprimido do Baixo Itapecuru (NTOprimido), percorre comunidades maranhenses entre 4 de setembro e 26 de outubro de 2025, levando arte, formação e mobilização social.
A iniciativa atua em localidades historicamente desassistidas de equipamentos e políticas culturais, promovendo oficinas certificadas de 60 horas e apresentações de Teatro Fórum com potencial de transformação social e cidadania.
E tem como objetivos: Promover formação artística e cidadã por meio da metodologia Teatro do Oprimido (Boal), com ênfase em mobilização social, comunicação comunitária e participação comunitária. Viabilizar espaços de reflexão coletiva sobre preconceito, violência, desigualdade e resistência, através de peças de Teatro Fórum. Fortalecer redes comunitárias, identidadades locais e protagonismo social, com participação de jovens, adultos e lideranças comunitárias. E produzir uma mostra final que consolide aprendizados e estimule a multiplicação da metodologia em novas comunidades.
Os municípios de Anajatuba (São Pedro), Bacabeira (Rancho Papôco), Itapecuru Mirim (Santa Rosa dos Pretos), Santa Rita (Olhos D’Água/Marengo) e Rosário (Itaipu) estão contemplados com a ação, possuindo territórios quilombolas, povoados e comunidades rurais com histórico de carência de infraestrutura cultural.
A coordenadora do projeto, Raimunda do Nascimento Ribeiro dos Santos, ressalta a dimensão social da iniciativa. “Estamos levando arte e formação para localidades onde quase não há acesso a esse tipo de experiência. O Teatro do Oprimido é uma ferramenta poderosa para despertar consciência, estimular o protagonismo social e dar voz a quem muitas vezes não é ouvido. Esse movimento é, antes de tudo, um ato de democratização da cultura e de valorização das nossas comunidades tradicionais”, afirmou.
A condução das oficinas ficará a cargo de multiplicadores com larga experiência na metodologia, entre eles o curinga Valdenor Carvalho, referência no Maranhão em processos de Teatro do Oprimido. Ele participou de formações nacionais e esteve à frente de projetos premiados que circularam por quilombos e escolas públicas do estado. Para Carvalho, o impacto da prática vai muito além da cena teatral. “Esse processo é de formação integral. O Teatro Fórum não é apenas uma cena no palco, mas um exercício de cidadania. Trabalhamos com a escuta da comunidade, com suas dores e sonhos, para transformar tudo isso em dramaturgia e mobilização social. É nesse sentido que o legado de Augusto Boal se renova em cada território onde o Teatro do Oprimido acontece”, destacou.
O projeto também contará com a participação de artistas como Lucca Anapuru, indígena e arte-educador radicado em Itapecuru Mirim, que traz a perspectiva de uma produção cultural enraizada nas lutas quilombolas e indígenas. Essa diversidade de olhares reforça o caráter plural da iniciativa, que busca integrar diferentes vozes e trajetórias artísticas no diálogo com as comunidades.
Nos territórios quilombolas e povoados que receberão as oficinas, o impacto vai além da dimensão cultural: trata-se de um espaço de afirmação identitária e de fortalecimento das redes comunitárias. Ao fim de cada oficina, as apresentações abertas funcionarão como ritos coletivos, reunindo moradores em torno do teatro para refletir sobre temas do cotidiano, como preconceito, violência, desigualdade e resistência. Na última semana do mês de outubro, na cidade de Santa Rita, será realizada a “Mostra Práxis de Teatro do Oprimido”, ocasião em que estarão reunidos os participantes do processo de multiplicação da metodologia de Boal, apresentando-se para o público composto por familiares, estudantes, professores e gestores das escolas por onde o projeto percorreu, e demais interessados.
Mais que espetáculo, o “PRÁXIS – Teatro do Oprimido de Ponto em Ponto”. representa uma plataforma de formação e mobilização social, onde cada participante se torna também um multiplicador de práticas artísticas e cidadãs, ampliando os horizontes culturais em regiões onde a arte, muitas vezes, chega de forma escassa ou fragmentada.
Essa ação cultural é apoiada com recursos da Lei Paulo Gustavo através do Edital Nº 19.2024 – Mais Festivais e Mostras/SECMA –Governo Federal.
Vanessa Serra é Jornalista. Ludovicense, filha de rosarienses.









