Wellington Reis, alma de pescador e poeta, partiu para a grande viagem além do tempo

(Foto: Vanessa Serra)

São Luís do Maranhão acordou nesta terça-feira, 22, com a triste notícia da perda de Wellington Reis, renomado compositor e gestor cultural deixou um legado de paixão pela cultura local e dedicação à promoção das manifestações artísticas do nosso estado. Sua presença marcante e seu entusiasmo contagiante fizeram dele uma figura querida por todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo. 

Sobretudo, Wellington Reis era conhecido por seu talento musical, além de seu compromisso em fortalecer a cena cultural através de ações e projetos que incentivaram muitos artistas e comunidades, atuando na Secretaria de Estado da Cultura, nos governos de Roseana Sarney. 

Wellington Reis (29/04/1951 – 22/07/2025) teve obra marcada pelo disco “Sotaque Maranhense na Arte de Cozinhar”, em parceria com José Ignácio, recebendo inúmeros prêmios, inclusive, internacionais como o “CD mais criativo de Culinária no Mundo”. Participou ativamente do Boizinho Barrica com várias composições. Ele também é autor da marchinha carnavalesca “O Gaguinho” de estrondoso sucesso, e fundador do bloco “Os Vagabundos do Jegue”.

Em 2022, fez a produção, com recursos próprios, do CD “Ladainha e Canções à São Pedro”, com gravação no Estúdio G7, e arranjos de Gordo Elinaldo e Wellington Reis. Duas composições de Wellington Reis abrem o disco, a ladainha de São Pedro que recebeu a interpretação de Arthur Santos, seguida de “Hino à São Pedro” cantado por Sebastião Cardoso. A terceira faixa do disco é é uma composição de Cesar Teixeira, exclusiva, que recebe uma interpretação do saudoso Claudio Pinheiro, que já havia se despedido dos palcos para dedicar-se a outra área profissional, mas tocado pelo pertencimento fez essa exceção e registrou seu canto divino nessa canção. O disco se completa com “Guardiões da Aurora da Vida” de Herbeth de Jesus Santos, Zé Pereira Godão e Luís Bulcão, na voz de Inácio Pinheiro da Cia. Barrica; “Festa da Rampa Velha”, de Luís Bulcão, com Gabriel Melônio; Roberto Brandão dá vida a “Procissão de São Pedro” de Zé Pereira Godão; “Nova Rampa” com Arthur Santos, e finalizando Wellington Reis canta “Kepha” de autoria dele.

Entre muitas iniciativas, nos anos 80, bem jovem, idealizou o Festival Tribo, na época do governo Cafeteira, tendo a presença de jurados nacionais como Capinam, Hermínio Bello de Carvalho, Vitor Ramil), além dos maranhenses Maestro Nonato (do Nonato e Seu Conjunto), Chico Saldanha e Nonato Buzar, que moravam no sudeste do país. Como resultado dessa iniciativa houve a gravação de um icônico LP, tendo faixas de Fátima Passarinho, Tutuca Viana, Nosly, César Nascimento e Zeca Baleiro, entre os artistas finalistas.

Vários amigos e instituições importantes manifestaram-se pelas redes sociais. A Deputada Federal Roseana Sarney escreveu: Dia muito triste. Perdemos Wellington Reis, com sua inconfundível barba branca. Músico, compositor, um grande talento e um trabalhador incansável da cultura maranhense. Estivemos sempre juntos. Deixará muita saudade.

No perfil da Escola de Samba Turma do Quinto uma nota oficial foi postada, tendo escrito: Hoje a poesia se cala em luto. Nos despedimos de Wellington Reis, um grande poeta que tanto contribuiu com sua arte, seu amor pelo samba e sua devoção à nossa querida Turma do Quinto. Seu legado permanece vivo em cada verso, em cada desfile, em cada lembrança. Vá em paz, Mestre! (V.S)

 

 

Vanessa Serra é Jornalista. Ludovicense, filha de rosarienses.

Bacharel em Comunicação Social – habilitação Jornalismo, UFMA; com pós-graduação em Jornalismo Cultural, UFMA.

Assessora de Imprensa e Comunicação.

Pesquisadora musical e entusiasta da Cultura do Vinil/DJ.

Antes de dedicar-se ao conteúdo on-line, publicou o Diário de Bordo, na mídia impressa, por 25 anos. Marcou também sua atuação profissional, por 20 anos, desenvolvendo estratégias de produção e roteiro de programas de rádio e TV, com foco em entretenimento.

É criadora do projeto “Vinil & Poesia” com ações diversas, incluindo feira, saraus e produção fonográfica. Lançou a coletânea maranhense Vinil e Poesia – Vol. 1, em mídia física (LP) e plataformas digitais, reconhecida no Prêmio Papete 2021.

Em 2020, idealizou o programa “Alvorada – Paisagens e Memórias Sonoras”, inspirado nas tradições dos folguedos populares e lembranças musicais afetivas. Dentre as realizações, produz bailes e circuitos, a partir do Alvorada que tem formato original e inovador, 100% vinil, apresentado, ao ar livre, nas manhãs de domingo, com transmissão nas redes sociais e na Rádio Timbira FM.

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