
Mestres da cultura popular, jovens artistas, afroempreendedores, pesquisadores e o público celebrando a potência criativa do Maranhão em diálogo com o Brasil. Esse é o ponto de convergência entre tradição, criação e identidade nos dias 30 e 31 de julho, com a terceira edição do Festival AYÓ, na Praça das Mercês, no Centro Histórico de São Luís. Referência da música negra brasileira, Sandra de Sá, está na programação totalmente gratuita.
Idealizado pelo Instituto Cultural Pé no Chão, o evento consolida a cultura negra como patrimônio vivo, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura e Governo Federal, com patrocínio da Vale e apoio da Prefeitura de São Luís e da Coordenadoria Municipal de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR), o festival ocupa um dos espaços mais emblemáticos da capital para promover encontros entre diferentes gerações e linguagens artísticas. Música, gastronomia, artesanato, moda, formação e economia criativa compartilham o mesmo território, onde tradição e contemporaneidade não disputam espaço: caminham lado a lado.
Ao dividir a programação com grupos e artistas do estado, Sandra de Sá integra uma celebração em que as identidades locais ocupam o centro da cena. Estão confirmadas apresentações de Raiz Tribal, Feijoada Completa, Tambor de Crioula Mestre Leonardo, Tambor de Crioula Arte Nossa, Boi de Fé em Deus e Bumba Meu Boi da Maioba, revelando a diversidade de manifestações que fazem do Maranhão uma das maiores referências da cultura popular brasileira.
A programação também destaca dois nomes fundamentais da cultura do vinil em São Luís. A dupla pioneira, DJ Joaquim Zion, da Rádio Zion, e DJ Marcos Vinícius, da Radiola Reggae, comemoram em 2026 três décadas de discotecagem, preservando a memória dos bailes black, do reggae e da música negra que ajudaram a consolidar a identidade cultural da chamada Jamaica Brasileira. A presença dos dois reforça diferentes formas de preservação da memória musical, seja nos tambores da cultura popular, seja nas agulhas que seguem girando discos e histórias.
Além dos espetáculos, o festival tem a Feira Afro, espaço dedicado ao afroempreendedorismo, onde moda, gastronomia, artesanato, artes visuais e design revelam como os saberes ancestrais também movimentam a economia criativa.
Vanessa Serra é Jornalista. Ludovicense, filha de rosarienses.









