
O Maranhão na Tela abre nesta terça-feira, 22 de setembro, sua 19ª edição. Até sábado (26), o Cine Sesc Deodoro recebe uma programação inteiramente dedicada à produção audiovisual maranhense, com mais de 100 obras e acesso gratuito.
Mesmo em formato reduzido, o festival mantém o cinema produzido no Maranhão no centro da programação e apresenta trabalhos que revelam diferentes gerações, linguagens e olhares sobre o estado. Entre os filmes desta edição estão Águas Passadas, de Maria Delmondes e Antônio Costa; Defesa Pura, de George Pedrosa; e Rita Moreira: Crônicas, memórias e videotape, de Sergio Santos Barroso.
A identidade visual também nasce da produção artística local. Como acontece desde as primeiras edições, o Maranhão na Tela escolhe a obra de um artista plástico maranhense como ponto de partida para a criação de suas peças. Em 2026, as ilustrações são da jovem artista Estela Simão.
Criado há quase duas décadas, o Maranhão na Tela consolidou-se como espaço de exibição, formação e encontro em torno do audiovisual. Ao longo de sua trajetória, o festival já exibiu aproximadamente 3.200 obras.
Em suas edições regulares, são cerca de 180 filmes exibidos, entre longas, curtas, videoclipes e animações, com presença expressiva da produção maranhense. O festival também costuma reunir convidados de diferentes estados e realizadores locais, promovendo intercâmbio entre quem faz, pesquisa, produz e pensa o cinema.
A formação sempre ocupou lugar importante nessa história. Somados os cursos realizados ao longo dos anos, mais de 8 mil vagas já foram oferecidas. As oficinas de produção resultaram em 46 curtas-metragens. O público médio chega a 3 mil pessoas por edição.
A 19ª edição chega, no entanto, em condições diferentes. A cineasta Mavi Simão, idealizadora e realizadora do Maranhão na Tela, conta que a falta de recursos colocou em risco a própria realização do festival.
“Apesar do esforço imenso para captar a edição de 2026, ela quase não acontecia. Estamos realizando com um recurso mínimo e o impacto na programação foi enorme. Um festival que comemora 20 anos em 2027 não devia ter que passar por isso, principalmente em um ano em que a produção maranhense está tão potente”, afirma.
Para Mavi, a dificuldade enfrentada nesta edição também chama atenção para a necessidade de políticas permanentes de fortalecimento dos festivais de cinema realizados no estado.
“O Maranhão só tem dois festivais. Devia haver uma política pública que garantisse o fortalecimento contínuo desses eventos tão importantes para a história do cinema maranhense. É muito triste terminar uma edição sem saber se vai ter a próxima”, ressalta.
Ainda assim, o Maranhão na Tela chega a 2026 sustentado justamente pelo que ajudou a construir ao longo de sua trajetória: a produção local. Durante cinco dias, mais de 100 obras integram uma programação que coloca em evidência a diversidade e a vitalidade do cinema feito no estado.
A programação segue até sábado, 26 de setembro, no Cine Sesc Deodoro, onde também será realizado o encerramento da 19ª edição.
MARANHÃO NA TELA 2026
Quando: 22 a 26 de setembro de 2026
Onde: Cine Sesc Deodoro
Entrada: gratuita em todas as atividades
Mais informações: site oficial do Maranhão na Tela