Na inauguração do Vila Galé em São Luís, a autenticidade defendida por Jorge Rebelo de Almeida, o discurso emocionado do Governador Carlos Brandão, a serenidade da primeira-dama Larissa Brandão e a memória de Esmênia Miranda deram à celebração uma dimensão que merece ser contada.
Por Vanessa Serra*
O antigo endereço da Casa do Maranhão agora recebe o primeiro hotel da rede portuguesa no estado. A mudança de uso de um espaço público dedicado à cultura traz questões sobre sua história e sua dimensão do que há por vir. Mas naquela noite, uma palavra-chave chamou-me atenção: autenticidade. Logo dita pelo presidente e fundador da Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida. De fato, o Maranhão é único em diversos aspectos, mesmo em meio a tantas contradições. Após um atraso expressivo ao início da programação que destoou da pontualidade e do cuidado com a organização que conheci em outras experiências com a Vila Galé, as autoridades presentes deram um exemplo de diplomacia durante os discursos que me fez pensar no valor do que temos a oferecer e na responsabilidade de cuidar disso tudo.
A singularidade do Maranhão, somada a riquíssima potencialidade natural, está no repertório dos nossos artistas, nos fazedores de cultura, nos modos e saberes do nosso povo, na comida, nas festas e nas histórias contadas por quem vive aqui. São essas pessoas que apresentam o estado a quem chega e dão sentido à experiência de visitá-lo.
A disposição do governador Carlos Brandão para fazer o empreendimento acontecer foi um dos fatores primordiais para atrair um investimento desse porte, pois exige bastante articulação, persistência e capacidade de lidar com interesses e entendimentos diferentes sobre o destino de um imóvel público. Em seu pronunciamento, Jorge reconheceu o apoio do governador à realização do projeto durante a inauguração ofical do Vila Galé Collection Ópera, na última terça-feira, 27 de outubro.

Já a atual Prefeita de São Luís do Maranhão, Esmênia Miranda em seu pronunciamento, surpreendeu toda a plateia através de uma experiência concreta, enquanto mais jovem, ela foi guia de turismo na antiga Casa do Maranhão, e contou que aquele primeiro emprego dela foi um grande aprendizado e incentivo para conhecer outras realidades. Enquanto ela apresentava a cultura maranhense aos visitantes e ela descobria, nas conversas com eles, outras histórias e maneiras de viver.
A memória da Casa do Maranhão merece acompanhar seu novo uso, celebrar a entrega e considerar essas questões fazem parte da mesma responsabilidade com a cidade. É uma boa reflexão sobre o que desejamos construir daqui em diante.
Instalado em um edifício do século XIX, o Vila Galé Collection Ópera tem 43 quartos e inspiração na ópera, na música e nas artes cênicas. Integra um projeto de R$ 100 milhões para o Centro Histórico, que inclui o Vila Galé Collection Poesia, com abertura parcial prevista para dezembro, e um terceiro prédio com os restaurantes Massa Fina e Cervejaria Portuguesa, já em funcionamento. Os números dimensionam o investimento.
A cerimônia reuniu cerca de 200 convidados. Além de Jorge, Brandão, Larissa e Esmênia, participaram o presidente da Embratur, Bruno Reis; o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços de Portugal, Pedro Machado; e o presidente do Conselho de Administração da TAP Air Portugal, Carlos Oliveira.
A inauguração coincidiu com a chegada do voo inaugural da TAP na rota Lisboa–São Luís. Com as aberturas das unidades de São Luís e da Reserva do Paiva, em Pernambuco, neste mês, a Vila Galé passou a contar com 15 hotéis em funcionamento no Brasil.
Anos atrás, o mundo chegava à Casa do Maranhão e ampliava os horizontes de uma jovem guia. Hoje, naquele mesmo endereço, abrem-se outras portas…O mundo gira. Seguiremos atentos e confiantes.

*Jornalista convidada pela assessoria de imprensa da Vila Galé para acompanhar a inauguração.