Série Cada Voz recebe o músico Antônio Madureira, um dos principais nomes do Movimento Armorial

A série é um projeto em vídeo da Enciclopédia Itaú Cultural, que disponibiliza depoimentos de diferentes artistas sobre histórias vividas durante sua carreira. Neste episódio, o artista potiguar conta como começou na música e as resistências sofridas para a aceitação da criação de uma arte erudita a partir da cultura popular nordestina. 

 

A Enciclopédia Itaú Cultural disponibiliza no final de novembro, o novo episódio da série Cada Voz, que tem como convidado o músico Antônio Madureira. O artista foi um dos personagens centrais do Movimento Armorial, criado por Ariano Suassuna, cujo objetivo era criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste brasileiro. O audiovisual poderá ser conferido no verbete dedicado a Madureira no link enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa214814/antonio-madureira.

No habitual bate-papo com o fotógrafo Marcus Leoni, diretor do projeto, o músico, nascido em Macau, no Rio Grande do Norte, revela que o talento inicial para desenhos foi suprimido pela inclinação à música, a partir do contato com um violão do pai. Ele recorda que quando era bem jovem sonhava em fazer desenho de animação, porque já ganhava algum dinheiro fazendo cartazes para lojas. Mas esse caminho acabou mudando.

“Quando eu fiz 14 anos, meu pai adquiriu um violão muito bom, que era um modelo raro da Giannini, chamado 1007. Esse violão era guardado como uma joia da Coroa”, diz. “Até que com 15 anos, eu tirei ele da caixa e comecei a estudar com os professores particulares”, recorda.

Após mudar-se para Pernambuco, Antônio Madureira ainda cursou três anos e meio de faculdade de Arquitetura, mas desistiu do curso para se dedicar à música. A prática musical determinou sua trajetória. 

 

O quinteto

A inventividade do Quinteto Armorial, criado na década de 1970 e do qual Madureira era o líder e um dos principais compositores, marcou época, unindo em composições originais instrumentos estabelecidos no universo erudito, como violino e flauta transversal, a outros de base popular, a exemplo da rabeca e do pífano, ou rústica, como o berimbau de lata.

“O Movimento Armorial era uma bandeira, usando as palavras de Ariano, que convocava os artistas para que mais uma vez – porque já havia tido o Movimento Regionalista – mergulhássemos na nossa cultura tradicional, nas raízes mais profundas, nos espetáculos populares, na música, na xilogravura do cordel. A partir daí, criaríamos uma arte erudita, uma linguagem pessoal, porém que refletisse e levasse adiante o que essas expressões populares estavam indicando”, explica.

No vídeo, o artista também conta os desafios enfrentados na apresentação da proposta do Movimento. Segundo ele, os músicos não compreendiam o que estavam tentando desenvolver. 

“Os eruditos diziam que aquilo era uma música primitiva, que a Europa já havia feito esse caminho”, lembra Madureira, que continua: “Os da MPB diziam que a MPB já estava muito mais na frente, com um som universal, e que nós estávamos buscando raízes aristocráticas, de reinado, uma música medieval”. 

O músico, porém, fez questão de pontuar que o saldo foi positivo. “Com o passar do tempo, o lançamento do disco e as críticas escritas pelos jornalistas, as pessoas começaram a nos ouvir de outra forma”, alegra-se.

 

Enciclopédia Itaú Cultural

A Enciclopédia Itaú Cultural de arte e cultura brasileira – que completou 20 anos em 2021 e hoje está sob a gestão da Gerência de Informação e Difusão Digital –, é uma referência virtual para pesquisadores, educadores e estudantes. Ela reúne informações sobre artes visuais, literatura, teatro, cinema, dança e música produzidos no Brasil. Ao todo são 220 mil verbetes, entre biografias, análises de obras, informações sobre termos e conceitos empregados no universo da arte e histórico de grupos e movimentos artísticos.

 

 

 

 

(DA REDAÇÃO, com informações da Assessoria)

Vanessa Serra é Jornalista. Ludovicense, filha de rosarienses.

Bacharel em Comunicação Social – habilitação Jornalismo, UFMA; com pós-graduação em Jornalismo Cultural, UFMA.

Assessora de Imprensa e Comunicação.

Pesquisadora musical e entusiasta da Cultura do Vinil/DJ.

Antes de dedicar-se ao conteúdo on-line, publicou o Diário de Bordo, na mídia impressa, por 25 anos. Marcou também sua atuação profissional, por 20 anos, desenvolvendo estratégias de produção e roteiro de programas de rádio e TV, com foco em entretenimento.

É criadora do projeto “Vinil & Poesia” com ações diversas, incluindo feira, saraus e produção fonográfica. Lançou a coletânea maranhense Vinil e Poesia – Vol. 1, em mídia física (LP) e plataformas digitais, reconhecida no Prêmio Papete 2021.

Em 2020, idealizou o programa “Alvorada – Paisagens e Memórias Sonoras”, inspirado nas tradições dos folguedos populares e lembranças musicais afetivas. Dentre as realizações, produz bailes e circuitos, a partir do Alvorada que tem formato original e inovador, 100% vinil, apresentado, ao ar livre, nas manhãs de domingo, com transmissão nas redes sociais e na Rádio Timbira FM.

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